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Registrando FATOS na história

Nas comunidades de HEMA (Historical European Martial Arts) sobretudo as que se dedicam à prática da esgrima histórica é comum vermos treinos com cortes e estocadas (popularmente chamadas de “furos”), porém nas mídias (filmes, HQs, mangás, animes…) o mesmo não ocorre: vemos apenas os personagens executando cortes com as suas espadas e as estocadas são inexistentes.

Romanos

O historiador Vegécio (do qual eu já fiz uma postagem que você deveria conferir depois de ler este texto) era claro quanto aos cortes e estocadas:

Eles também foram ensinados a não cortar, mas sim a estocar com suas espadas. Pois os romanos não só zombavam dos que lutavam com o fio daquela arma (…) Um golpe com o fio, embora feito com muita força, raramente mata, pois as partes vitais do corpo são defendidas tanto pelos ossos quanto pela armadura. Pelo contrário, uma estocada, embora penetre apenas cinco centímetros, geralmente é fatal.

Essa era a mentalidade romana para o uso de espadas: a estocada era fundamental e o uso dos cortes era desprezada. Porém na Idade Média a esgrima passou a privilegiar não apenas as estocadas, mas também os cortes.

Idade Média

Nos manuais conhecidos como “Walpurgis” e “Fior di Battaglia”, conhecemos tanto técnicas de corte quanto de estocadas com as espadas ali exibidas.

Mas por que isso ocorre? Isso acontece porque no texto de Vegécio a espada descrita por ele era a gládio, que tinha cerca de 70 cm de extensão, enquanto que as espadas dos manuais Walpurgis (também conhecido como manuscrito “MS I.33”) e Fior di Battaglia possuem no mínimo 1 metro de extensão!

Conclusão

Sendo assim vemos que o formato da arma dita a maneira como ela haverá de ser utilizada nos combates!

Fontes:

The Flower of Battle Ludwig XV 13, Colin Hatcher and Tracy Mellow. Tyrant Industries.

Walpurgis Fechbutch https://wiktenauer.com/wiki/Walpurgis_Fechtbuch_(MS_I.33), visitado em 14/02/2021

Epitoma Rei Militari https://digitalattic.org/home/war/vegetius/, visitado em 14/02/2021

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