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Registrando FATOS na história

Em uma sociedade competitiva como a da Grécia antiga, em que vencer as competições atléticas era mais importante do que competir, encontramos uma modalidade restrita a membros da aristocracia. As modalidades hípicas (com cavalos) eram praticadas por membros da elite.

Fábio de Souza Lessa revela no livro “Atletas na Grécia Antiga” que há inclusive uma comédia antiga, escrita por Aristófanes, que evidencia as despesas que os cavalos geravam. Em “Nuvens”, é mostrado o endividamento do personagem Estrepsíades em virtude do filho Fidípides por esse ser obcecado por cavalos.

Fonte: Google imagens

O cavalo se fez presente com frequência no mundo grego antigo, seja na mitologia ou na história. Na mitologia, o cavalo representa a força, velocidade e beleza que podem se assemelhar aos deuses. No plano divino, o animal é associado ao deus Poseidon. Já na tradição épica, no período arcaico, encontramos a imagem do cavalo associada a guerra de Tróia, onde a mesma foi disputada com o auxílio desses animais, tendo, inclusive, o cavalo como peça chave para representar simbolicamente o fim da guerra, com o cavalo de Tróia.

“[…] Não é excessivo mencionar que os jogos correspondem a uma versão pacífica das práticas bélicas e que os atletas são os herdeiros dos guerreiros. […]” (Lessa, 2017. Pág. 63)

No plano competitivo atlético, as disputas hípicas era uma modalidade esportiva praticada dentro do hipódromo, ambiente físico amplo com uma baliza em cada extremo, em torno do qual os cavalos giravam. Essa modalidade era vinculada a uma elite econômica helênica. Para participar das disputas hípicas era necessário ser cidadão da hélade – o que já restringia as mulheres, escravos e estrangeiros,  possuir um grande poder econômico para arcar com as despesas provenientes das disputas e do treinamento e ainda dispor de skholé (tempo livre), coisa que muitos cidadãos não tinham, pois se ocupavam com o trabalho e outras obrigações.

Fonte: Google imagens

Haviam duas formas de disputa: corrida de cavalos e de carros (que eram puxados pelos equinos). Nesta modalidade atlética, os aurigas (responsáveis por guiar os cavalo) deveriam possuir bons carros e cavalos e ainda dispor de coragem para sobressaírem, a qualidade do cavaleiro devia ser acompanhada pelos cavalos e vice-versa. Os vencedores eram considerados heróis pela hélade e seu nome nunca era esquecido.

Referência

Lessa, Fábio de Souza, Atletas na Grécia Antiga: da competição À excelência – 1. Ed. Rio de Janeiro: Mauad X: FAPERJ, 2017.

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