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Registrando FATOS na história

A cidade de Delfos, localizada junto ao monte Parnaso na Grécia continental (mapa 01), era considerada o centro do universo. Segundo o mito antigo, Zeus havia libertado duas águias em vôos livres em extremidades opostas, leste e oeste, na sequência as aves se encontraram no coração de Delfos, onde uma pedra denominada de Ônfalos simbolizava o umbigo do mundo. Para ter o domínio do santuário, o filho de Zeus e Leto, Apolo, matou a serpente Píton, que dominava o lugar e ocupou o seu espaço (Ribeiro, 2014).

Mapa 01: Localização da cidade de Delfos

Fonte: Google Imagens

Dentro do Santuário haviam algumas pessoas das quais faziam a manutenção do templo e mantinham o seu funcionamento. Pitonisa e servos são os que exerciam as tarefas de preservação do santuário em diferentes hierarquias. A Pitonisa era uma mulher délfica, de idade já madura que ficava encarregada de sentar-se no “tripé sagrado, transmitir aos homens, nos brados que Apolo faz ressoar, os oráculos do deus” (Silva, 2011). Cabia aos sacerdotes receber os consulentes, averiguar os sacrifícios e fazer os devidos encaminhamentos (Ribeiro, 2014).

A Pítia (Sacerdotisa de delfos) – Fonte: Google imagens.

O santuário de Apolo em Delfos era um edifício majestoso, ladeado de conjuntos sacros, tesouros, altares, dentre outras riquezas disponíveis à quem tinha a possibilidade de visita-lo para consultar sobre assuntos diversos, seja na vida privada ou pública (Silva, 2011). O lugar de destaque do Santuário era de tal envergadura na construção e afirmação de uma identidade grega que no processo de colonização, quando os gregos partiam de suas pólis para fundar novos assentamentos (apoikias) em terras distantes, iam ao templo consultar o oráculo de Apolo sobre o novo empreendimento. Segundo Pontin (2011), entre os séculos VIII e VI a.C., período das colonizações gregas, as atividades dos fundadores de cidades foram inteiramente subordinadas à autoridade de Apolo. Eles passavam lá para obterem informações precisas sobre a área a ser colonizada e o melhor local para iniciar o empreendimento. (Pontin, 2011)

O novo assentamento era escolhido baseando-se em informações colhidas por navegantes e comerciantes, em regiões próximas à costa, onde eram esperados terrenos férteis, riquezas minerais ou um bom local de comércio. Caso o empreendimento aconselhado por Apolo tivesse sucesso, era enviada a Delfos uma delegação para apresentar os agradecimentos ao deus, e aqueles que não obtivessem êxito, voltava ao templo para pedir ajuda novamente. Dessa forma, havia em Delfos, uma forte circulação de pessoas, que concediam informações importantes que eram colhidas pelos sacerdotes e pela pítia (sacerdotisa do templo) (Giebel, 2013).

Referências

RIBEIRO. M. C. L.1 2014. Delfos: fragmentos da história de uma cidade luz. S.P., Labeca – MAE/ USP.

SILVA, Cleyton Tavares da Silveira. Entre os gregos e eles mesmos: um ensaio sobre identidade e alteridade em A República dos Lacedemônios de Xenofonte. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História. ANPUH. São Paulo, 2011.

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